O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas da roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. Fernando Pessoa
No calor de uma sexta feira Em uma multidão pensante, Me vi um tanto diferente Coração descontrolou por um instante. E a noite chegou sem demora Sabendo que tinha chegado a hora De enfim conhecer você , Foi um encontro do acaso Mesmo que ele não exista. E algo manchou minha vista Quando eu beijei você. E num recitar de poema Que lhe deixou entontecido Enfim, chegou o domingo E em um controle sub humano Tentei dominar o meu corpo Mas ele, um pouco louco, Não resistiu a sua boca. E eu um tanto louca, Por está ali ao seu lado, Tentando controlar a força, Meus lábios e a minha boca Desses beijos insensatos . E estamos nessa luta Sem saber como agir, Tentando a ninguém ferir, Mas o coração fala mais alto, Seu jeito todo engraçado, Me arrancando sorrisos Vendo no amor o perigo Com medo de tudo dar errado. Mas algo é bem certo, Não podemos ser discretos, Pois meu sentimento é só loucura E suas mãos em minha blusa Me apertando um pouco mais... Entenda que minha boca e minha vida que é louca É que te satisfaz! O tempo passa correndo Eu juro, até lhe entendo Todo seu desespero Mas corre, vem ligeiro Que a vida é muito breve Escolha deepressa meus lábios Antes que outros lábios me leve. ( Fernanda Fernandes )
Conheço esse suor que cai do teu pescoço Pois é derramado sobre todo o meu corpo Em uma onda sonora só nossa O mundo lá fora, já não importa. Minha pele já está arranhada e acostumada Ao tocar, ao deslisar da sua barba Onde me corta e me sufoca Em mãos fortes e famintas. Acostumada a ser amada por dentro Onde partes do seu corpo me invadem E tira-me do chão sem piedade Tornamo-nos um, sem metades . E quando penso em ir embora Prende-me logo, sem demora E me convence novamente Que para o amor, para amar não há hora ... ( Fernanda Fernandes )